A verdade sobre eles
conheça a verdade sobre eles|
Omar Aziz, Roberto Cidade e David Almeida
Dossiê público · Amazonas Eleições 2026

A verdade
sobre eles.

Três candidatos. Investigações da Polícia Federal, operações do Ministério Público, apontamentos do Tribunal de Contas e bilhões em contratos públicos. O que eles preferem que fique no escuro, aqui está documentado. Com fontes.

Omar Aziz
Arquivo 01 · Indiciado pela Polícia Federal

Omar
Aziz

Senador. Ex-governador. Quase quarenta anos de política.

Vereador, deputado, vice-prefeito, secretário, vice-governador, governador, senador. Toda a vida dentro da política.

Na eleição de 2022, a mais recente que disputou, Omar declarou à Justiça Eleitoral cerca de R$ 1 milhão em bens. Sua esposa, Nejmi Aziz, declarou mais de R$ 30 milhões em 2018, valor que chamou atenção por superar, sozinho, a soma do patrimônio declarado pelos demais candidatos ao Governo do Amazonas naquele pleito.

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Fontes

A diferença entre os patrimônios e a evolução financeira da família passaram a integrar reportagens e investigações envolvendo o grupo político ligado ao ex-governador.

Radar Amazônico · Estado Político · BNC Amazonas (patrimônio de Omar em 2022)

Ruínas da Cidade Universitária da UEA em Iranduba
Gestor do maior fracasso da estrutura pública do estado

A obra que virou ruína

Em julho de 2012, o governador Omar Aziz lançou em Iranduba o projeto mais ambicioso da história da educação do Amazonas: a Cidade Universitária da UEA. Um campus de 13 milhões de metros quadrados, com moradia para 2 mil estudantes do interior, áreas comerciais, de lazer e turismo. Orçamento: R$ 300 milhões. Hoje, no lugar da promessa, restam esqueletos de concreto tomados pelo mato.

Gastos
R$ 100 mi+
Entregue
Ruínas
A promessa, em 2012

Moradia para 2 mil estudantes do interior, reitoria, prédios de saúde, ciências sociais e tecnologia, condomínios, comércio e lazer. O contrato previa entrega em 360 dias, e a inauguração da primeira fase foi prometida para 2014. Jovens de Iranduba cresceram esperando estudar ali.

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A realidade, hoje

Nenhum prédio entregue, nenhuma aula dada, nenhum estudante morando ali. Obras paradas desde 2017 por decisão judicial. O destino das ruínas segue indefinido, agora em discussão em audiência pública convocada pela UEA.

A conta que o Amazonas pagou
R$ 100 mi+supostamente desviados da saúde, segundo a PF (Operação Vértex)
R$ 100 mi+supostamente enterrados nas ruínas de Iranduba, segundo o TCE
R$ 200 mi+
R$ 44,5 milhões
foi o que custou só a estrada de acesso às ruínas: 7 km de asfalto que hoje terminam no mato, levando a lugar nenhum.
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As duas parcelas têm origens distintas: o desvio na saúde é objeto de investigação da PF (Operação Vértex, indiciamento em 2019, sem condenação definitiva); o gasto na Cidade Universitária é desperdício apontado pelo TCE-AM (Acórdão 2621/2023). A estrada de acesso de 7 km, orçada em R$ 44,5 milhões segundo dados da Seinfra-AM, foi concluída em 2015 e é a única parte entregue do projeto. Fontes: TCE-AM, MPC-AM, MPF e imprensa local — A Crítica · Radar Amazônico · Amazonas1 · Parintins 24hs · FAPEAM (lançamento, 2012) · Edital da audiência pública (UEA) · Amazonas Atual (de R$ 300 mi a R$ 700 mi para concluir) · G1 Amazonas (obra parada).

Operação
Maus Caminhos

Indícios de corrupção blindados pela burocracia

Investigado em 2019 pela Polícia Federal por corrupção passiva e organização criminosa, Omar Aziz viu seu nome ligado ao desvio de R$ 100 milhões que deveriam salvar vidas nos hospitais do Amazonas. Ele afirma que a investigação foi arquivada — mas, em julho de 2026, decisão judicial registrou que não foi apresentada prova desse arquivamento definitivo.

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O senador carimbou quase todas as páginas do relatório da PF, detalhando o rastro de favorecimento e lavagem de capitais.

A família investigada

As investigações também atingiram familiares próximos de Omar Aziz. Na Operação Vértex foram presos temporariamente:

  • Nejmi Aziz (esposa)
  • Murad Aziz
  • Amin Aziz
  • Manssur Aziz

Segundo o MPF, integrantes da família teriam participado da movimentação financeira investigada.

Nejmi Aziz foi indiciada pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Murad e Amin também foram indiciados pelos mesmos crimes.

Manssur respondeu por investigação relacionada à lavagem de dinheiro.

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Não há condenação criminal definitiva contra Omar Aziz. Indiciamento é ato da Polícia Federal e não equivale a denúncia recebida nem a condenação; prisão temporária é medida cautelar e não implica culpa. As teses de investigação aqui descritas são atribuídas à PF e ao MPF. Vale a presunção de inocência.

Roberto Cidade
Arquivo 02 · O governador que ninguém elegeu

Roberto
Cidade

Ele governa o Amazonas sem nunca ter recebido um voto para o cargo. Quem o colocou no Palácio foram os deputados da Assembleia que ele mesmo presidia.

01

Ascensão ao Governo sem eleição direta

Roberto Cidade é eleito governador do Amazonas em eleição indireta

Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas interinamente em abril de 2026, após a dupla renúncia, e em 4 de maio foi eleito governador por meio de uma eleição indireta feita pelos deputados da Assembleia Legislativa, casa que ele próprio presidia.

A comprovação

Com a renúncia do governador anterior, Cidade foi elevado ao cargo máximo do Executivo estadual pelos próprios deputados.

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02

Contratos milionários com a empresa da família

Roberto Cidade em coletiva do Governo do Amazonas

A empresa Navegação Cidade, ligada à sua família, manteve contratos vultosos com o Estado. Logo após assumir o governo interinamente em abril de 2026, Cidade determinou a suspensão dos contratos de empresas vinculadas à sua família.

A comprovação

O ato de suspensão oficializou e comprovou publicamente o vínculo familiar e comercial mantido até aquele momento com o Estado. O sistema oficial de contratos do Amazonas registra Roberto Maia Cidade Filho como sócio e representante legal da Navegação Cidade no Contrato nº 28/2016; reportagens registram a saída dele do quadro societário em 2018. Levantamento feito a partir do SIAFI/AFI aponta cerca de R$ 456,4 milhões em empenhos à empresa em 11 órgãos entre 2018 e julho de 2026.

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03

Denúncia por autopromoção

Roberto Cidade em entrevista diante de microfones

Em março de 2024, o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção denunciou formalmente a gestão de Cidade na Assembleia pelo uso de recursos da Casa para propaganda de promoção pessoal.

A comprovação

A representação encaminhada ao Ministério Público foi oficializada e noticiada, evidenciando a suspeita de improbidade administrativa.

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04

Blindagem e manobras em CPIs na Assembleia

Após os escândalos revelados pela CPI da Saúde — a crise do oxigênio e a Operação Sangria, em 2020 e 2021 —, a Assembleia arquivou o processo de impeachment do então governador Wilson Lima, aliado político de Cidade, blindando o Executivo de responsabilização pela Casa.

A comprovação

Os registros oficiais de votação da Assembleia, de agosto de 2020, documentam o arquivamento por 12 votos a 6. Os registros taquigráficos e as atas da Casa documentam os embates sobre comissões investigativas no período.

12 × 6
o placar que arquivou o impeachment na Assembleia, em 6 de agosto de 2020
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05

Diárias e viagens na presidência da Assembleia

Levantamento com base no Portal da Transparência da ALEAM aponta R$ 746.778,37 em 308 diárias entre janeiro e novembro de 2025: 56% para viagens nacionais, 34% para internacionais e menos de 10% para o interior do estado. No mesmo período, Cidade e uma comitiva de deputados participaram de fórum em Orlando, nos Estados Unidos. Questionado sobre os gastos com passagens, ele afirmou que ir a Parintins "é mais caro que a Europa".

A comprovação

O demonstrativo oficial de diárias da ALEAM e os registros da própria Assembleia confirmam as despesas e a viagem a Orlando. As críticas sobre desperdício são atribuídas às reportagens; não há decisão de órgão de controle sobre irregularidade.

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06

A empresa de descartáveis que virou gráfica da Casa

Em 2023, sob a presidência de Cidade, uma empresa registrada como comércio de descartáveis — a Plastic — venceu certame de materiais gráficos da Assembleia. Nos demonstrativos oficiais seguintes, o mesmo CNPJ (37.348.347/0001-30) passou a aparecer como PRIX Ltda, na rubrica "Serviços Gráficos". Levantamento aponta cerca de R$ 75 milhões recebidos entre 2023 e abril de 2026.

A comprovação

O Diário Oficial do Legislativo de 2023 registra a Plastic, com esse CNPJ, vencedora de certame com itens gráficos. Os demonstrativos de despesas da própria ALEAM, de 2023 a 2026, registram o CNPJ sob a denominação PRIX Ltda em serviços gráficos. O total acumulado é resultado de levantamento sobre esses demonstrativos, sem consolidação oficial única.

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Não há condenação criminal contra Roberto Cidade nos fatos acima. A sucessão e a eleição indireta seguiram o rito legal previsto na Constituição do Estado, aberto pela dupla vacância. A defesa sustenta que ele deixou o quadro societário das empresas da família em 2018 e que os contratos seguiram licitações e pregões — posição repetida na nota oficial que anunciou a suspensão. A denúncia por propaganda com recursos da Assembleia é uma representação em apuração, sem decisão de mérito. Os totais consolidados (R$ 456,4 milhões da empresa familiar e cerca de R$ 75 milhões da PRIX) são resultado de levantamento sobre bases públicas, não números oficiais fechados: valores variam conforme a coluna contábil usada (empenhado, liquidado ou pago). Pagamentos sem cobertura contratual e viagens documentadas não constituem, por si sós, ilícito. Vale a presunção de inocência.

David Almeida
Arquivo 03 · 7 investigações criminais — TJAM

David
Almeida

Ex-prefeito de Manaus. Candidato ao Governo do Amazonas.

No discurso, “o garoto pobre do Morro da Liberdade”. Nos registros oficiais, um patrimônio 49% maior em quatro anos de mandato.

Em novembro de 2025, o Tribunal de Justiça autorizou sete investigações criminais contra o então prefeito: corrupção passiva, peculato, fraude em licitação e favorecimento de empresas com contratos públicos. O pedido do Ministério Público levou treze meses e passou por cinco relatores até ser aceito.

Fonte: RealTime1 · Revista Cenarium (patrimônio +49%) · G1 Amazonas (7 investigações)
O cerco, ano a ano
2021
Fura-fila da vacina, em plena pandemia

O Ministério Público pediu a prisão preventiva do prefeito, apontando burla à fila da vacinação, desvio de doses, peculato e falsidade ideológica. O caso foi para a Justiça Federal.

David Almeida de máscara em posto de vacinação
2023
Operação Entulho: fraude no lixo da cidade

Receita, PF e MPF apontaram esquema na coleta de lixo e limpeza pública de Manaus. Segundo a PF: R$ 245 milhões em notas fiscais suspeitas e R$ 100 milhões em sonegação estimada.

Capa da Cenarium sobre as operações Entulho e Dente de Marfim
2024
O grampo: R$ 100 mil em propina

O UOL revelou que a PF investiga propina para favorecer empresa em licitações — entregue à irmã do prefeito, então secretária de Educação.

2024–26
Carnaval no Caribe, pago em dinheiro vivo

Dois carnavais no Caribe ao lado de empresários com contratos ativos com a própria prefeitura. Em 2026, a Operação Erga Omnes prendeu a ex-chefe de gabinete e o dono da agência de viagens da família — que afirmou, em depoimento, que as passagens eram pagas em dinheiro vivo.

2025
Contas de 2017: relatório aponta erros graves de David Almeida

A comissão da Assembleia recomendou rejeitar as contas dele como governador. O parecer técnico cita desvio de verba da educação e falta de licitações. O órgão pediu o envio do caso ao TRE pelo risco da Lei da Ficha Limpa. A decisão definitiva está travada no plenário há oito meses.

Fachada do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas
2026
Compra de votos: pastores presos com dinheiro

O MP Eleitoral abriu investigação por corrupção eleitoral. A origem: a PF prendeu em flagrante dois pastores — um afirmou ter recebido R$ 38 mil de um aliado da campanha para distribuir entre líderes religiosos. Foram apreendidos R$ 21 mil em espécie e uma lista de presença. O nome de Almeida aparece seis vezes no auto de prisão; a PF pediu que ele seja ouvido.

Fonte: InfoMoney
jul/2026
Mais uma: nova investigação do MP Eleitoral

O ex-prefeito de Manaus passou a ser investigado pelo Ministério Público Eleitoral por suspeita de corrupção eleitoral relativa ao pleito deste ano. Instaurada pela Portaria PRE-AM nº 3, de 16 de julho de 2026, com ciência publicada no Diário da Justiça Eletrônico do TRE-AM em 27 de julho.

A família no caixa

A sogra

Administrou a empresa responsável por mais de R$ 300 milhões em contratos de limpeza urbana com a Prefeitura. Depois abriu uma microempresa que, em seis meses, emitiu R$ 124 mil para uma construtora — contratada pela Prefeitura por R$ 32,5 milhões no mesmo mês da abertura.

A primeira-dama

Segundo o Estadão, teria recebido cerca de R$ 120 mil de empresa com contrato na Prefeitura. A empresa dela funciona no mesmo endereço da empresa da mãe.

O irmão

Deputado estadual: subsídio bruto de R$ 46,4 mil por mês, mais R$ 123,6 mil mensais de verba de gabinete para a estrutura do mandato, e emendas de cerca de R$ 24 milhões por ano.

O caso das “mesadas” teve repercussão nacional — O Globo, Estadão, Veja — e levou o MP-AM a abrir apuração sigilosa. Os familiares citados são particulares, não agentes públicos. Repercussão do caso · Apuração do MP-AM.

Obra parada em Manaus

Enquanto isso,
na cidade

Merenda de R$ 9,3 milhões contratada de empresa de informática — e crianças comendo bolacha doce com suco no lugar de refeição, segundo o MP de Contas. Fonte
Creche de R$ 1,78 milhão no Conjunto Cidadão 5 seguiu inacabada e sem atender ninguém — obra que já vinha parada de gestões anteriores e não foi entregue nesta. Fonte
Creche abandonada em Manaus
Manaus: 3ª capital mais violenta do Brasil em 2022, segundo o Atlas da Violência do Ipea. Fonte
UBSs sem remédios: um terço dos medicamentos de saúde mental com estoque zero e falta de farmacêuticos, segundo investigação do MP-AM aberta em 2025. Fonte
Os órgãos de controle

O relator do TCE-AM votou pela desaprovação das contas de 2024 — julgamento suspenso, empatado. O Tribunal suspendeu um pregão de R$ 120 milhões e auditou o Fundeb: dinheiro da educação usado para cobrir o fundo de saúde dos servidores. Em 2025, o MP-AM instaurou inquérito civil para apurar R$ 41,8 milhões transferidos do Fundeb em 2023 e 2024, na gestão da então secretária de Educação Dulce Almeida, irmã do prefeito. E quando a Câmara instalou a CPI dos Contratos, uma liminar — pedida por vereador do partido do próprio prefeito — travou tudo. As CPIs nunca andaram.

As investigações estão em andamento; não há condenação criminal definitiva. Autorização judicial para investigar, inquérito, representação, CPI ou pedido de prisão não equivalem a condenação, e o conteúdo de grampos e relatórios policiais é atribuído à fonte que o produziu. A Prefeitura afirmou que a viagem ao Caribe foi convite pessoal, em avião com assentos vagos, e negou favorecimento. Almeida nega irregularidades: diz que viajou com recursos próprios, que o TCE-AM aprovou as contas de 2017 e chama as denúncias de “matérias requentadas”. Os familiares citados são particulares, e vínculo familiar ou societário não prova favorecimento. Vale a presunção de inocência.

Sobre este material

Este arquivo reúne informações de registros públicos, procedimentos de órgãos de controle e reportagens jornalísticas, com fontes indicadas em cada seção. Nenhuma informação aqui constitui afirmação de culpa: investigações e indiciamentos são fatos públicos documentados, e a todos os citados aplica-se a presunção de inocência até decisão judicial definitiva.

01 Aziz 02 Cidade 03 Almeida

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