Três candidatos. Investigações da Polícia Federal, operações do Ministério Público, apontamentos do Tribunal de Contas e bilhões em contratos públicos. O que eles preferem que fique no escuro, aqui está documentado. Com fontes.
Senador. Ex-governador. Quase quarenta anos de política.
Vereador, deputado, vice-prefeito, secretário, vice-governador, governador, senador. Toda a vida dentro da política.
Na eleição de 2022, a mais recente que disputou, Omar declarou à Justiça Eleitoral cerca de R$ 1 milhão em bens. Sua esposa, Nejmi Aziz, declarou mais de R$ 30 milhões em 2018, valor que chamou atenção por superar, sozinho, a soma do patrimônio declarado pelos demais candidatos ao Governo do Amazonas naquele pleito.
A diferença entre os patrimônios e a evolução financeira da família passaram a integrar reportagens e investigações envolvendo o grupo político ligado ao ex-governador.
Radar Amazônico · Estado Político · BNC Amazonas (patrimônio de Omar em 2022)
Em julho de 2012, o governador Omar Aziz lançou em Iranduba o projeto mais ambicioso da história da educação do Amazonas: a Cidade Universitária da UEA. Um campus de 13 milhões de metros quadrados, com moradia para 2 mil estudantes do interior, áreas comerciais, de lazer e turismo. Orçamento: R$ 300 milhões. Hoje, no lugar da promessa, restam esqueletos de concreto tomados pelo mato.
Moradia para 2 mil estudantes do interior, reitoria, prédios de saúde, ciências sociais e tecnologia, condomínios, comércio e lazer. O contrato previa entrega em 360 dias, e a inauguração da primeira fase foi prometida para 2014. Jovens de Iranduba cresceram esperando estudar ali.
Nenhum prédio entregue, nenhuma aula dada, nenhum estudante morando ali. Obras paradas desde 2017 por decisão judicial. O destino das ruínas segue indefinido, agora em discussão em audiência pública convocada pela UEA.
As duas parcelas têm origens distintas: o desvio na saúde é objeto de investigação da PF (Operação Vértex, indiciamento em 2019, sem condenação definitiva); o gasto na Cidade Universitária é desperdício apontado pelo TCE-AM (Acórdão 2621/2023). A estrada de acesso de 7 km, orçada em R$ 44,5 milhões segundo dados da Seinfra-AM, foi concluída em 2015 e é a única parte entregue do projeto. Fontes: TCE-AM, MPC-AM, MPF e imprensa local — A Crítica · Radar Amazônico · Amazonas1 · Parintins 24hs · FAPEAM (lançamento, 2012) · Edital da audiência pública (UEA) · Amazonas Atual (de R$ 300 mi a R$ 700 mi para concluir) · G1 Amazonas (obra parada).
Investigado em 2019 pela Polícia Federal por corrupção passiva e organização criminosa, Omar Aziz viu seu nome ligado ao desvio de R$ 100 milhões que deveriam salvar vidas nos hospitais do Amazonas. Ele afirma que a investigação foi arquivada — mas, em julho de 2026, decisão judicial registrou que não foi apresentada prova desse arquivamento definitivo.
As investigações também atingiram familiares próximos de Omar Aziz. Na Operação Vértex foram presos temporariamente:
Segundo o MPF, integrantes da família teriam participado da movimentação financeira investigada.
Nejmi Aziz foi indiciada pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Murad e Amin também foram indiciados pelos mesmos crimes.
Manssur respondeu por investigação relacionada à lavagem de dinheiro.
Brasil de Fato · Amazônia Real · Brasil 247 · Metrópoles · Senado Federal (clipping) · Estado Político · CNN Brasil · Amazonas Atual (disputa de competência) · Correio da Amazônia (fundo eleitoral, 2022) · MPF (Operação Maus Caminhos, entenda o caso) · UOL (relatório da PF, 2019) · Folha de S.Paulo (prisão temporária) · Amazonas Atual (versão de Omar sobre o arquivamento) · Amazonas Atual (decisão judicial de julho de 2026)
Não há condenação criminal definitiva contra Omar Aziz. Indiciamento é ato da Polícia Federal e não equivale a denúncia recebida nem a condenação; prisão temporária é medida cautelar e não implica culpa. As teses de investigação aqui descritas são atribuídas à PF e ao MPF. Vale a presunção de inocência.
Ele governa o Amazonas sem nunca ter recebido um voto para o cargo. Quem o colocou no Palácio foram os deputados da Assembleia que ele mesmo presidia.
Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas interinamente em abril de 2026, após a dupla renúncia, e em 4 de maio foi eleito governador por meio de uma eleição indireta feita pelos deputados da Assembleia Legislativa, casa que ele próprio presidia.
Com a renúncia do governador anterior, Cidade foi elevado ao cargo máximo do Executivo estadual pelos próprios deputados.
A empresa Navegação Cidade, ligada à sua família, manteve contratos vultosos com o Estado. Logo após assumir o governo interinamente em abril de 2026, Cidade determinou a suspensão dos contratos de empresas vinculadas à sua família.
O ato de suspensão oficializou e comprovou publicamente o vínculo familiar e comercial mantido até aquele momento com o Estado. O sistema oficial de contratos do Amazonas registra Roberto Maia Cidade Filho como sócio e representante legal da Navegação Cidade no Contrato nº 28/2016; reportagens registram a saída dele do quadro societário em 2018. Levantamento feito a partir do SIAFI/AFI aponta cerca de R$ 456,4 milhões em empenhos à empresa em 11 órgãos entre 2018 e julho de 2026.
Em março de 2024, o Comitê Amazonas de Combate à Corrupção denunciou formalmente a gestão de Cidade na Assembleia pelo uso de recursos da Casa para propaganda de promoção pessoal.
A representação encaminhada ao Ministério Público foi oficializada e noticiada, evidenciando a suspeita de improbidade administrativa.
Após os escândalos revelados pela CPI da Saúde — a crise do oxigênio e a Operação Sangria, em 2020 e 2021 —, a Assembleia arquivou o processo de impeachment do então governador Wilson Lima, aliado político de Cidade, blindando o Executivo de responsabilização pela Casa.
Os registros oficiais de votação da Assembleia, de agosto de 2020, documentam o arquivamento por 12 votos a 6. Os registros taquigráficos e as atas da Casa documentam os embates sobre comissões investigativas no período.
Levantamento com base no Portal da Transparência da ALEAM aponta R$ 746.778,37 em 308 diárias entre janeiro e novembro de 2025: 56% para viagens nacionais, 34% para internacionais e menos de 10% para o interior do estado. No mesmo período, Cidade e uma comitiva de deputados participaram de fórum em Orlando, nos Estados Unidos. Questionado sobre os gastos com passagens, ele afirmou que ir a Parintins "é mais caro que a Europa".
O demonstrativo oficial de diárias da ALEAM e os registros da própria Assembleia confirmam as despesas e a viagem a Orlando. As críticas sobre desperdício são atribuídas às reportagens; não há decisão de órgão de controle sobre irregularidade.
Em 2023, sob a presidência de Cidade, uma empresa registrada como comércio de descartáveis — a Plastic — venceu certame de materiais gráficos da Assembleia. Nos demonstrativos oficiais seguintes, o mesmo CNPJ (37.348.347/0001-30) passou a aparecer como PRIX Ltda, na rubrica "Serviços Gráficos". Levantamento aponta cerca de R$ 75 milhões recebidos entre 2023 e abril de 2026.
O Diário Oficial do Legislativo de 2023 registra a Plastic, com esse CNPJ, vencedora de certame com itens gráficos. Os demonstrativos de despesas da própria ALEAM, de 2023 a 2026, registram o CNPJ sob a denominação PRIX Ltda em serviços gráficos. O total acumulado é resultado de levantamento sobre esses demonstrativos, sem consolidação oficial única.
Não há condenação criminal contra Roberto Cidade nos fatos acima. A sucessão e a eleição indireta seguiram o rito legal previsto na Constituição do Estado, aberto pela dupla vacância. A defesa sustenta que ele deixou o quadro societário das empresas da família em 2018 e que os contratos seguiram licitações e pregões — posição repetida na nota oficial que anunciou a suspensão. A denúncia por propaganda com recursos da Assembleia é uma representação em apuração, sem decisão de mérito. Os totais consolidados (R$ 456,4 milhões da empresa familiar e cerca de R$ 75 milhões da PRIX) são resultado de levantamento sobre bases públicas, não números oficiais fechados: valores variam conforme a coluna contábil usada (empenhado, liquidado ou pago). Pagamentos sem cobertura contratual e viagens documentadas não constituem, por si sós, ilícito. Vale a presunção de inocência.
Ex-prefeito de Manaus. Candidato ao Governo do Amazonas.
No discurso, “o garoto pobre do Morro da Liberdade”. Nos registros oficiais, um patrimônio 49% maior em quatro anos de mandato.
Em novembro de 2025, o Tribunal de Justiça autorizou sete investigações criminais contra o então prefeito: corrupção passiva, peculato, fraude em licitação e favorecimento de empresas com contratos públicos. O pedido do Ministério Público levou treze meses e passou por cinco relatores até ser aceito.
O Ministério Público pediu a prisão preventiva do prefeito, apontando burla à fila da vacinação, desvio de doses, peculato e falsidade ideológica. O caso foi para a Justiça Federal.
Receita, PF e MPF apontaram esquema na coleta de lixo e limpeza pública de Manaus. Segundo a PF: R$ 245 milhões em notas fiscais suspeitas e R$ 100 milhões em sonegação estimada.
O UOL revelou que a PF investiga propina para favorecer empresa em licitações — entregue à irmã do prefeito, então secretária de Educação.
Dois carnavais no Caribe ao lado de empresários com contratos ativos com a própria prefeitura. Em 2026, a Operação Erga Omnes prendeu a ex-chefe de gabinete e o dono da agência de viagens da família — que afirmou, em depoimento, que as passagens eram pagas em dinheiro vivo.
A comissão da Assembleia recomendou rejeitar as contas dele como governador. O parecer técnico cita desvio de verba da educação e falta de licitações. O órgão pediu o envio do caso ao TRE pelo risco da Lei da Ficha Limpa. A decisão definitiva está travada no plenário há oito meses.
O MP Eleitoral abriu investigação por corrupção eleitoral. A origem: a PF prendeu em flagrante dois pastores — um afirmou ter recebido R$ 38 mil de um aliado da campanha para distribuir entre líderes religiosos. Foram apreendidos R$ 21 mil em espécie e uma lista de presença. O nome de Almeida aparece seis vezes no auto de prisão; a PF pediu que ele seja ouvido.
O ex-prefeito de Manaus passou a ser investigado pelo Ministério Público Eleitoral por suspeita de corrupção eleitoral relativa ao pleito deste ano. Instaurada pela Portaria PRE-AM nº 3, de 16 de julho de 2026, com ciência publicada no Diário da Justiça Eletrônico do TRE-AM em 27 de julho.
Administrou a empresa responsável por mais de R$ 300 milhões em contratos de limpeza urbana com a Prefeitura. Depois abriu uma microempresa que, em seis meses, emitiu R$ 124 mil para uma construtora — contratada pela Prefeitura por R$ 32,5 milhões no mesmo mês da abertura.
Segundo o Estadão, teria recebido cerca de R$ 120 mil de empresa com contrato na Prefeitura. A empresa dela funciona no mesmo endereço da empresa da mãe.
Deputado estadual: subsídio bruto de R$ 46,4 mil por mês, mais R$ 123,6 mil mensais de verba de gabinete para a estrutura do mandato, e emendas de cerca de R$ 24 milhões por ano.
O caso das “mesadas” teve repercussão nacional — O Globo, Estadão, Veja — e levou o MP-AM a abrir apuração sigilosa. Os familiares citados são particulares, não agentes públicos. Repercussão do caso · Apuração do MP-AM.
O relator do TCE-AM votou pela desaprovação das contas de 2024 — julgamento suspenso, empatado. O Tribunal suspendeu um pregão de R$ 120 milhões e auditou o Fundeb: dinheiro da educação usado para cobrir o fundo de saúde dos servidores. Em 2025, o MP-AM instaurou inquérito civil para apurar R$ 41,8 milhões transferidos do Fundeb em 2023 e 2024, na gestão da então secretária de Educação Dulce Almeida, irmã do prefeito. E quando a Câmara instalou a CPI dos Contratos, uma liminar — pedida por vereador do partido do próprio prefeito — travou tudo. As CPIs nunca andaram.
As investigações estão em andamento; não há condenação criminal definitiva. Autorização judicial para investigar, inquérito, representação, CPI ou pedido de prisão não equivalem a condenação, e o conteúdo de grampos e relatórios policiais é atribuído à fonte que o produziu. A Prefeitura afirmou que a viagem ao Caribe foi convite pessoal, em avião com assentos vagos, e negou favorecimento. Almeida nega irregularidades: diz que viajou com recursos próprios, que o TCE-AM aprovou as contas de 2017 e chama as denúncias de “matérias requentadas”. Os familiares citados são particulares, e vínculo familiar ou societário não prova favorecimento. Vale a presunção de inocência.
Este arquivo reúne informações de registros públicos, procedimentos de órgãos de controle e reportagens jornalísticas, com fontes indicadas em cada seção. Nenhuma informação aqui constitui afirmação de culpa: investigações e indiciamentos são fatos públicos documentados, e a todos os citados aplica-se a presunção de inocência até decisão judicial definitiva.
Esse site veicula conteúdo político-eleitoral conforme Art. 3º-C e Art. 27-A, § 1º da Resolução 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral. O domínio pertence à Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque e é hospedado em servidor brasileiro.